El Niño 2026: entenda como o fenômeno climático deve afetar a Paraíba
26/07/2026
(Foto: Reprodução) João Pessoa em dia de sol com tempo aberto
Edilane Araújo/TV Cabo Branco
O El Niño de 2026 deve provocar aumento das temperaturas e intensificar os períodos de estiagem na Paraíba, especialmente no Sertão e no Cariri, além de influenciar a próxima estação chuvosa no estado. Segundo especialistas, o fenômeno tem potencial para ser um dos mais intensos dos últimos anos, o que pode ampliar os impactos sobre os reservatórios, a qualidade do ar e a demanda por água e energia elétrica.
🔎 O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno acontece por conta do enfraquecimento dos chamados ventos alísios, que, naturalmente, são responsáveis por empurrar as águas quentes em direção à Ásia e à Oceania.
Com os ventos mais fracos, a água quente permanece na superfície do oceano e dificulta a subida das águas profundas e frias. Como consequência, o fenômeno altera os padrões de chuva e de temperatura em diferentes regiões do planeta.
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O que diferencia o El Niño de 2026 dos eventos anteriores?
Em entrevista ao g1, a meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), explicou que o padrão de aquecimento das águas do Pacífico indica que o El Niño de 2026 pode ser mais intenso do que os registrados nos últimos anos.
“Na costa do Peru, um aquecimento muito significativo desde o final de janeiro configurou o chamado El Niño Costeiro. Já na faixa central do oceano, que é a região com maior influência no clima do Brasil, o aquecimento se consolidou em meados de abril”, contou.
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Além disso, projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam alta probabilidade de que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico fique mais de 2°C acima da média. Caso isso se confirme, o fenômeno será classificado como "Forte" ou "Muito Forte".
Outro fator que pode intensificar os impactos é o cenário de mudanças climáticas provocado pelo aquecimento global.
“O coração da questão é o desenvolvimento de um El Niño em um cenário de mudanças climáticas. Quando um El Niño dessa intensidade se soma ao aquecimento global, o risco de eventos climáticos extremos se multiplica: ondas de calor mais intensas, secas severas no Norte e Nordeste e tempestades volumosas na Região Sul do Brasil”, acrescentou.
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Como o El Niño de 2026 pode afetar a Paraíba?
Na Paraíba, o principal impacto esperado é o aumento das temperaturas, segundo a meteorologista.
“Nos meses de agosto, setembro e outubro de 2026, praticamente não chove, pois climatologicamente já é o início do período de estiagem e de maiores temperaturas na região. O El Niño poderá potencializar esses aspectos, contribuindo para a ocorrência de dias consecutivos com temperaturas mais altas e possíveis episódios de ondas de calor”, explicou.
Com temperaturas acima da média, outros efeitos também podem ser sentidos no estado, como a piora da qualidade do ar e a redução dos níveis dos reservatórios.
“Os efeitos dessa elevação geram um efeito em cascata. A umidade relativa do ar diminui drasticamente, o que afeta a qualidade do ar ,e, consequentemente, a saúde humana e animal. Além disso, há o aumento da evaporação, fazendo com que os reservatórios percam mais água para a atmosfera. Esse aumento térmico gera pressão sobre infraestruturas importantes, como o aumento na demanda por água e por energia elétrica”, pontuou.
Outro possível impacto, segundo a especialista, é sobre a próxima estação chuvosa prevista para o estado, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
“Posteriormente, caso o fenômeno persista com intensidade forte ou muito forte, o impacto será sentido na qualidade da próxima estação chuvosa, que também se inicia no Sertão. O trimestre de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027 tem alta probabilidade de estar sob a influência de um El Niño forte”, detalhou.
Diferença entre as regiões do estado
Embora o fenômeno influencie todo o estado, os efeitos tendem a ser mais intensos em algumas regiões. Segundo a meteorologista, Sertão e Cariri devem sentir os impactos de forma mais severa. “No Sertão e Cariri, o fenômeno intensifica as temperaturas elevadas e a baixa umidade no segundo semestre”, disse.
Já no Litoral, Brejo e Agreste da Paraíba a principal mudança causada pelo El Nino será a redução do volume total de acumulado de chuvas, segundo a especialista.
“No Litoral, Brejo e Agreste, a principal estação chuvosa ocorre no decorrer do outono e inverno. Sob a influência do El Niño, a tendência geral é de redução no volume total acumulado de chuvas. No entanto, isso não impede a ocorrência de eventos extremos e pontuais de chuva forte, como os registrados recentemente no final de abril/início de maio”, finalizou.
*Sob supervisão de Erickson Nogueira
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